Ando respondendo e avaliando a vida por metáforas poéticas. Gostei muito de fazer essa viagem pelo conhecimento. Acredito na ciência, mas acima de tudo na própria vida e nas forças cósmicas. Espero habitar num planeta onde a ciência será valorizada junto com os esforços humanos para tentar descobrir os começos e mistérios que atravessam os séculos. Não sei se estamos melhorando enquanto espécie, mas sinto uma nova frequência. Que essa frequência nos guie e nos mostre o melhor caminho para acessar o infinito.
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.